Habib's entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões
Justiça de São Paulo deferiu o pedido do grupo dono das marcas Habib's, Ragazzo e Tendal. Lojas seguem funcionando normalmente. Entenda o caso.

O grupo dono do Habib’s entrou em recuperação judicial. O pedido foi protocolado na segunda-feira (24) na Justiça de São Paulo, com dívida declarada de R$ 265,2 milhões, e o processamento foi deferido pelo juiz Jomar Juarez Amorim, que nomeou a consultoria KPMG como administradora judicial.
A recuperação envolve o grupo Gennius, responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendal — uma das redes de fast food mais conhecidas do país, famosa pela esfiha de preço baixo.
Veja o tamanho da operação afetada
O pedido abrange uma estrutura societária extensa: dez franqueadoras e holdings e 17 empresas operacionais. No total, entram no processo:
- 119 lojas da rede Habib’s;
- 26 unidades do Ragazzo;
- 6 churrascarias Tendal.
Importante para quem é cliente ou franqueado: o grupo afirma que as operações seguem funcionando normalmente, com atendimento, rotina e qualidade mantidos nas unidades. Recuperação judicial não é falência — é um instrumento para renegociar dívidas sob supervisão da Justiça enquanto o negócio continua rodando.
Entenda o que levou a rede à crise
Nos documentos, o grupo atribui a crise financeira a três fatores principais:
- os impactos acumulados da pandemia, que golpearam o setor de alimentação fora do lar;
- a mudança nos hábitos de consumo, com o delivery redesenhando a concorrência e as margens do fast food;
- o cenário macroeconômico, especialmente a alta dos juros, que encareceu a dívida.
O caso expõe uma pressão que atinge todo o setor de restaurantes: a disputa dos aplicativos de entrega mudou o fluxo das praças de alimentação e das lojas de rua, e redes montadas para o movimento presencial ainda buscam a conta que feche.
Confira os próximos passos
A partir do deferimento, o grupo tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação — o documento que detalha como pretende reorganizar as finanças e pagar os credores.
Depois disso, os credores votam o plano em assembleia. Se aprovarem, a empresa executa a reestruturação sob fiscalização da administradora judicial. Se rejeitarem, o caso pode evoluir para falência — cenário que todas as partes costumam tentar evitar.
As informações desta matéria foram apuradas até a noite desta quarta-feira (26), com base em O Tempo, Migalhas, Diário do Comércio e NeoFeed.
Na sua cidade, o Habib’s da esquina segue cheio — ou o delivery também mudou o seu jeito de comer fora?


