Azzas 2154 se divide: Arezzo e Soma voltam a ser empresas separadas
Dois anos depois da fusão, os sócios acertaram o desmembramento. A Farm Rio fica numa terceira estrutura, dividida entre os dois lados.

A Azzas 2154 anunciou nesta terça-feira, 2 de setembro, que será dividida em duas companhias listadas: Arezzo&Co e Soma. A separação desfaz a fusão feita dois anos atrás e ainda depende de aprovações para se concretizar.
Quem fica com o quê
Alexandre Café Birman lidera a Arezzo&Co, que leva Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas, Brizza, Hering, Carol Bassi e o ZZ Mall.
Roberto Jatahy Gonçalves comanda a Soma, com Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Reserva e suas extensões, Oficina, Foxton e Off Premium.
São onze marcas de um lado e oito do outro, numa divisão que devolve a cada bloco o que ele trouxe para a fusão: calçado e denim com Birman, vestuário de moda com Jatahy.
A Farm Rio no meio
A marca mais valiosa da disputa não coube em nenhum dos dois lados. A Farm Rio vai para uma terceira estrutura, com 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da Soma.
Os dois grupos seguem expostos ao crescimento da marca enquanto avaliam alternativas estratégicas para ela, num trabalho conduzido pelo Morgan Stanley.
Como fica o controle
Depois do desmembramento, o bloco Birman fica com 32,13% da Arezzo&Co. O bloco Jatahy fica com 25,95% da Soma, e o próprio Birman mantém 6,18% dessa segunda companhia.
O restante, 67,87% em cada uma, permanece em circulação no mercado. Ou seja, nenhum dos dois sócios sai com controle isolado: os dois seguem como acionistas de referência, não como donos.
O que ainda falta
A conclusão está prevista para o primeiro trimestre de 2027, e nada disso é automático. A operação depende do aval do conselho de administração e dos acionistas da própria Azzas.
Precisa também da aprovação do Cade, que analisa efeitos concorrenciais, e da autorização para listar as ações da Soma no Novo Mercado.
Por que importa
A fusão de 2024 criou uma das maiores companhias de moda do país, juntando calçados e vestuário sob o mesmo teto. Desmontá-la em dois anos mostra que a integração prometida não se sustentou na prática.
Para quem compra nessas lojas, nada muda agora. Para o varejo de moda brasileiro, volta a haver duas empresas competindo onde havia uma.
Você imaginava que essa fusão duraria tão pouco?


