sexta-feira, 28 de agosto de 2026
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Como precificar um serviço sem chutar: a conta que quase todo mundo pula

O cálculo que parte do custo real do seu mês, passa pelas horas que você consegue vender e só no fim olha para o preço do concorrente.

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Mãos usando uma calculadora sobre documentos financeiros em uma mesa de escritório
Foto: Bia Limova/Pexels

Quase todo prestador de serviço começa pelo lugar errado: olha quanto o concorrente cobra e chega ao próprio preço a partir dali.

O problema é que o concorrente pode estar errado. Ou ter uma estrutura de custo que não é a sua. Copiar o número dele é herdar o prejuízo dele.

A conta correta anda no sentido inverso. Ela começa dentro da sua operação e só encosta no mercado no último passo.

Some tudo o que sai da sua conta

Liste o custo mensal completo, sem separar o que é da empresa e o que é seu. Quem trabalha sozinho paga as duas contas com o mesmo dinheiro.

  • Custos fixos: aluguel, internet, telefone, contador, assinaturas de software, transporte.
  • Custos variáveis: material, deslocamento, terceirizações que só aparecem quando existe cliente.
  • Pró-labore: quanto você precisa retirar por mês para viver. Não é lucro, é custo.
  • Impostos: a alíquota do seu regime sobre o faturamento.
  • Reserva: uma fatia para equipamento que quebra e mês fraco.

A soma de tudo isso é o piso. Faturar abaixo dele é operar no vermelho, mesmo com a agenda cheia.

Calcule quantas horas você consegue vender

Aqui está o erro que derruba a conta inteira. O mês tem cerca de 160 horas úteis, mas nenhum prestador vende as 160.

Some o tempo gasto com proposta, cobrança, e-mail, reunião que não vira nada, nota fiscal e prospecção. Sobra bem menos do que parece — na prática, quem trabalha sozinho costuma vender algo entre metade e dois terços do horário disponível.

Divida o custo mensal total pelas horas realmente vendáveis. O resultado é o custo da sua hora. Ainda não é o preço: é o valor abaixo do qual você paga para trabalhar.

Só então olhe para o concorrente

Aplique a margem de lucro sobre o custo da hora e você tem um preço de partida. Agora, sim, compare com o mercado.

A comparação serve para explicar diferenças, não para definir o número. Se o seu preço saiu bem acima da média, a pergunta é o que justifica: prazo, especialização, garantia, tamanho do risco que você assume.

Se saiu bem abaixo, a suspeita é de conta furada — quase sempre alguma despesa ficou de fora ou a estimativa de horas vendáveis está otimista.

Marque a data da próxima revisão

Preço de serviço envelhece em silêncio. O custo sobe mês a mês e a tabela continua a mesma do ano passado.

Coloque no calendário uma revisão a cada seis meses, com a planilha de custos aberta. Reajuste em cliente novo primeiro, e depois avise a carteira antiga com antecedência.

Quando foi a última vez que você refez essa conta?

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