sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Educação

Pedreiro fez a própria defesa no tribunal e ganhou bolsa para cursar Direito

Edilson Takahara, de 49 anos, estudou cerca de 50 horas de CLT, sustentou oralmente no TRT-11 e foi elogiado pelo relator. Agora vai estudar Direito em Manaus.

Por · · 2 min de leitura
Mãos assinando um documento sobre a mesa, ao lado de caderno e caneta
Foto: cottonbro studio/Pexels

O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa numa audiência do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, em Manaus, impressionou os magistrados e recebeu uma bolsa para cursar Direito.

Como ele se preparou

Takahara estudou por volta de 50 horas antes da sustentação oral. Leu a CLT e a legislação trabalhista, conversou com advogados e usou ferramentas de inteligência artificial para organizar o que tinha aprendido.

O caso era dele: pedia o reconhecimento de vínculo de emprego com uma construtora. Na segunda instância, a parte contrária tentava derrubar a sentença que já lhe era favorável.

O que o relator disse

Quem julgou foi a 2ª turma do TRT-11, com relatoria do juiz convocado Sandro Nahmias Melo. Foi ele quem virou a chave da história com uma frase dita no próprio tribunal.

“Pode mudar de profissão, porque a lógica de argumentos acabou sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido de doutos patronos.”

Ele ganhou a causa

Não foi só elogio. A construtora foi condenada a pagar cerca de R$ 21 mil em verbas rescisórias e a registrar o contrato na carteira de trabalho digital.

Ou seja, o autodidatismo funcionou onde importa: no resultado do processo, não apenas na impressão que causou.

A bolsa

A vaga veio da Famec, em Manaus, para o curso de Direito. A oportunidade apareceu depois que o vídeo da audiência ganhou repercussão nacional.

O curso será na unidade Compensa da faculdade. Repare no percurso: ele entrou no tribunal como parte de um processo trabalhista e sai dele como aluno de Direito, sem ter passado por nenhuma das portas habituais.

O que essa história diz sobre estudar sozinho

Cinquenta horas não formam ninguém em Direito, e não é isso que o caso prova. O que ele mostra é outra coisa: estudo dirigido a um problema concreto rende muito mais do que estudo genérico.

Takahara não tentou aprender Direito. Tentou entender o próprio processo, e foi por isso que conseguiu argumentar melhor do que quem estuda a matéria inteira sem um caso na mão.

Vale para vestibular, para concurso e para qualquer prova: comece pelo que você precisa responder, não pelo capítulo um.

Você já estudou sozinho para resolver um problema seu?

Esta matéria é da editoria de Educação, uma das seis da Revista Foco, publicação digital independente que separa o que importa do ruído, todo dia.

Veja também

Compartilhe esta matéria

Gostou desta matéria?

Assim você recebe nossas matérias direto no seu feed de notícias.

Mais artigos