Pedreiro fez a própria defesa no tribunal e ganhou bolsa para cursar Direito
Edilson Takahara, de 49 anos, estudou cerca de 50 horas de CLT, sustentou oralmente no TRT-11 e foi elogiado pelo relator. Agora vai estudar Direito em Manaus.

O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, fez a própria defesa numa audiência do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, em Manaus, impressionou os magistrados e recebeu uma bolsa para cursar Direito.
Como ele se preparou
Takahara estudou por volta de 50 horas antes da sustentação oral. Leu a CLT e a legislação trabalhista, conversou com advogados e usou ferramentas de inteligência artificial para organizar o que tinha aprendido.
O caso era dele: pedia o reconhecimento de vínculo de emprego com uma construtora. Na segunda instância, a parte contrária tentava derrubar a sentença que já lhe era favorável.
O que o relator disse
Quem julgou foi a 2ª turma do TRT-11, com relatoria do juiz convocado Sandro Nahmias Melo. Foi ele quem virou a chave da história com uma frase dita no próprio tribunal.
“Pode mudar de profissão, porque a lógica de argumentos acabou sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido de doutos patronos.”
Ele ganhou a causa
Não foi só elogio. A construtora foi condenada a pagar cerca de R$ 21 mil em verbas rescisórias e a registrar o contrato na carteira de trabalho digital.
Ou seja, o autodidatismo funcionou onde importa: no resultado do processo, não apenas na impressão que causou.
A bolsa
A vaga veio da Famec, em Manaus, para o curso de Direito. A oportunidade apareceu depois que o vídeo da audiência ganhou repercussão nacional.
O curso será na unidade Compensa da faculdade. Repare no percurso: ele entrou no tribunal como parte de um processo trabalhista e sai dele como aluno de Direito, sem ter passado por nenhuma das portas habituais.
O que essa história diz sobre estudar sozinho
Cinquenta horas não formam ninguém em Direito, e não é isso que o caso prova. O que ele mostra é outra coisa: estudo dirigido a um problema concreto rende muito mais do que estudo genérico.
Takahara não tentou aprender Direito. Tentou entender o próprio processo, e foi por isso que conseguiu argumentar melhor do que quem estuda a matéria inteira sem um caso na mão.
Vale para vestibular, para concurso e para qualquer prova: comece pelo que você precisa responder, não pelo capítulo um.
Você já estudou sozinho para resolver um problema seu?
Esta matéria é da editoria de Educação, uma das seis da Revista Foco, publicação digital independente que separa o que importa do ruído, todo dia.
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