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#PapoDeCineasta com Antônio Cortez

Na série de entrevistas do #PapoDeCineasta, a nossa colunista Amanda Mergulhão Ferrari preparou mais um conteúdo incrível. Dessa vez, com mais um cineasta ibitinguense, o Antônio Cortez.

Confira como foi esse bate papo:

  • Antônio Cortez, um dos raros cineastas ibitinguenses, e com quem temos a honra de estar conversando hoje! Conte, por favor, como descobriu sua vocação cinematográfica.

Primeiramente gostaria de agradecer a Revista Foco e a Amanda Ferrari, minha amiga e colega de profissão pelo convite, é um grande prazer falar sobre meu trabalho e minha paixão, a produção audiovisual.

No início ainda não sabia muito bem que minha escolha final seria cinema, prestei outros cursos relacionados a artes também, como artes visuais e publicidade e propaganda. Mas, pensando no foco audiovisual, minhas opções da época eram: Imagem e Som, na Federal de São Carlos; Audiovisual na USP; Midialogia na UNICAMP e Rádio e TV na UNESP. Hoje em dia sei que as opções de cursos são bem mais amplas que as mencionadas, FAAP, Cásper e ESPM, são outras ótimas possibilidades de universidades particulares no estado, que não eram tão promovidas quando eu estava no colegial.

O curso da UFSCAR é bastante focado em teoria, com uma forte base acadêmica nos primeiros anos, sendo que a parte de especialização prática vem a partir do terceiro ano principalmente. Pela falta de apoio e atenção estatal para com áreas de humanas, e principalmente artes, o curso passava por várias dificuldades estruturais, o que fazia da força de vontade tanto dos professores, quanto dos alunos, nosso maior trunfo. Lá aprendemos a “tirar leite de pedra”, produzir conteúdo quase sem orçamento, ou mesmo pensar em formas alternativas e criativas de financiamento, o que nos tornou profissionais bastante flexíveis dentro de um mercado que está sempre em mutação.

Os projetos de Antônio e sua equipe

Meu projeto de conclusão de curso, “A República”, pode ser considerado transmídia, já que ia para além do curta-metragem, pois se propunha contar uma história de suspense dividida em uma web-série, um áudio-drama, um web-site, um jogo de realidade alternada e muito trabalho de redes sociais. Como imaginado, o “passo foi um pouco maior do que a perna”. Tivemos várias dificuldades e desafios, mas todos foram vencidos, e hoje vejo esse projeto como um grande aprendizado para todos os outros que vieram no futuro.

Papo de Cineasta com Antônio Cortez

 “A Dama das Onze Horas” é um curta-metragem de ficção produzido em São Carlos (SP), que traz uma reinterpretação de uma lenda urbana na qual numa área rural do interior paulista, a Dama das Onze Horas gritou pelas estradas pedindo ajuda, desaparecendo logo depois sem deixar rastros. E agora, na cerimônia de 50 anos dessa lenda, a anfitriã da festa, Maria da Piedade e sua irmã, Ana, precisam lidar com os ressentimentos do passado.

​                O filme foi lançado em 2019 no circuito de festivais, e durante sua distribuição conquistou a seleção oficial no 3º Festival de Cinema de Jaraguá do Sul e Festival de Cinema Universitário Tainha Dourada, além das seleções para o First-Time Filmaker Sessions e o The Lift-Off Sessions, ambos realizados na Inglaterra; foi também semifinalista na categoria Melhor Curta-metragem Universitário no International Moving Film Festival que aconteceu em Abadan, no Irã. “A Dama das Onze Horas” já está disponível na íntegra online, e pode ser assistido no canal do YouTube da Carpe.

Papo de Cineasta com Antônio Cortez

Sob o Olhar da Chuva” foi nosso último lançamento conteúdo na Carpe. É um curta-metragem de suspense com roteiro de Victor Cortez e direção da Nalu Souza e Walklenguer Oliveira. O enredo se passa numa noite chuvosa, em que um homem solitário recebe a visita de uma suposta amiga de sua ex-mulher, mas a situação fica delicada quando ela o rende com uma arma e começa a fazer uma série de exigências inusitadas. Confuso, o homem não consegue imaginar quais são os verdadeiros objetivos da invasora.

Para a produção, contamos com o apoio da Prefeitura Municipal, que através da prefeita Cristina Arantes, nos ajudou com o transporte da equipe, elenco e equipamentos, que vieram de São Paulo e São Carlos para Ibitinga.

O curta está sendo distribuído para o circuito de festivais e foi selecionado para onze festivais e mostras até o momento, entre eles o Festival Internacional de Curtas no Rio de Janeiro e Los Angeles Brazilian Film Festival. Em breve estará disponível na íntegra em nossos canais online.

Papo de Cineasta com Antônio Cortez
  • Você se considera um cineasta mais cult ou comercial? E o que acha dessa “divisória” (que, aliás, muitas vezes se torna uma rixa)?

Acredito que essa “rixa” é um dos principais pontos que enfraquecem nosso cinema nacional. É como o filme é brasileiro, ele só pode ser ou muito comercial como o estrondoso sucesso da franquia “Minha Mãe é Uma Peça” (André Pellenz, 2013); ou então super-cult e muito nichado, como a emblemática produção “O Olho e a Faca” (Paulo Sacramento, 2019). Acredito que não é sobre isso. Nosso cinema é diverso, é rico, e ao mesmo tempo que pode ser belo, metafórico e inteligente (como os bons filmes “cults”), também precisa ser comercial, afinal essa é uma indústria, da qual muitas pessoas e empresas dependem. Então, respondendo a pergunta, diria que não me considero nem um, nem outro, mas sim, os dois. Prezo pela produção que seja inteligente, engajada, mas que ao mesmo tempo seja atrativa para o público, que cative, que chame atenção. Alguns exemplos desse tipo de filme são notórios, como “Bacurau” (Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles, 2019), “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (Daniel Ribeiro, 2014), o já citado “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002), “Central do Brasil” (Walter Salles, 1998), “Divino Amor” (Gabriel Mascaro, 2019), e tantos outros ouros do nosso cinema nacional, que consegue ser belo, reflexivo, e também atrativo, divertido e intrigante.

  • E para finalizar, qual o conselho que você deixa para os interessados em ingressar no mundo do audiovisual, mas que, infelizmente, não têm condição de fazer faculdade? Quais os outros caminhos?

Estudem, conheçam e experimentem. Fazer faculdade de audiovisual é um ótimo caminho de começar, mas realmente não é o único. Hoje em dia existe muita informação a respeito de produção audiovisual online e de fácil acesso. Comece estudando alguns conteúdos que encontrar online, depois vá fundo e conheça mais sobre audiovisual, consuma filmes, séries, curtas, de diferentes países, gêneros, linguagens e épocas. Apesar de toda carga que a faculdade traz, nada ensina mais sobre fazer filmes, do que assisti-los. E, assim que se sentir pronto, experimente! Mesmo que com a câmera do celular, editando em aplicativos, experimente e invente. Use a tecnologia e todos os recursos que temos hoje ao seu favor.

Comece pequeno, faça vídeos curtos, peça a opinião de pessoas, troque ideias, converse com outros profissionais, e pouco a pouco vá desenvolvendo sua técnica, e o mais importante, não parem de estudar, conhecer e experimentar!

Curtiu? Confira outros #PapoDeCineasta clicando aqui! 😁 E não esqueça de seguir a Revista Foco no Facebook e Instagram.

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