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#PapoDeCineasta com Karinna de Simone

Quando foi que decidiu se tornar cineasta e o que te inspirou para isso?

Quando pequena meu passatempo favorito era assistir filmes. Sempre fui apaixonada por tudo que envolvia Cinema. Eu venho de uma família de atletas, então eu não entendia o que estava de fato envolvido na prática do cinema. Pra mim, eram os atores ali e só! Então fui estudar teatro para me tornar atriz, que parecia ser a única coisa envolvida em fazer filmes. Na época do vestibular eu descobri que existia faculdade de cinema no Brasil, coisa que pra mim era inimaginável. Achei que poderia ser um bom plano “B” pra carreira de atriz. Só quando entrei na faculdade que passei a entender de fato tudo que envolve fazer cinema, o papel de cada área, as diferentes funções. E desde então tenho me apaixonado cada vez mais pelas possibilidades da profissão.

Estudar cinema é diferente do que você imaginou?

É muito! Quando adolescente eu não fazia ideia da complexidade da profissão. Para ser um bom profissional de Cinema, idealmente, além da qualidade técnica você precisa ter conhecimentos vastos de humanidades, capacidade de trabalhar bem em equipe, resiliência física em função das longas horas e circunstâncias adversas do trabalho… É uma profissão infinitamente mais elaborada do que a gente imagina quando não conhece a área.

Papo de Cineasta com Karinna de Simone

Fale sobre o último curta que produziu. Qual a mensagem do “Colmeia”, como ele nasceu, como foram os desafios de sua produção e qual foi sua projeção?

O “Colmeia”, meu curta mais recente, foi meu TCC na faculdade. Na época eu estava escrevendo um outro projeto que não rendia nada. Li uma reportagem sobre uma menina que estudou na mesma escola que eu e ia representar o Brasil no G20. Fiquei muito impressionada e fui ver a história dela… Achei uma figura inspiradora e resolvi extrair um recorte da sua experiência pra contar no filme! Foi a melhor coisa que fiz. Dirigir nosso elenco foi uma experiência única. Todo mundo sempre fala que é difícil demais trabalhar com crianças/adolescentes em set. Com 13 anos na época, a Raquel, o Yuri e o Victor foram simplesmente incríveis! Criativos, dedicados, talentosos…  

Foi um projeto engrandecedor. É um filme infantil, coisa que é pouco trabalhada na faculdade, e eu também não consumo tanto esse conteúdo. Nossa equipe tinha parâmetros muito altos para atingir, referências que iam de Spielberg a Kurosawa, então todos nós depositamos muito estudo e treino para conseguir chegar perto do que imaginávamos pro curta. Claro que sabíamos que eram referências inatingíveis, mas ainda assim ficamos muito satisfeitos com tudo que conseguimos alcançar com nosso trabalho. No fim, colhemos os frutos de todo esse esforço. O filme passou em diversos festivais importantes ao redor do mundo. Pudemos acompanhar as exibições no Festival Infantil de Chicago, que foi uma experiência transformadora. Lá nosso filme estava competindo lado a lado de curtas milionários, animações dubladas por atores hollywoodianos como Kit Harrington e Whoopy Goldberg, diretores com mais tempo de experiência do que nós de vida! Ainda assim recebemos um feedback excelente dos dirigentes do festival, bem como do público. Foi emocionante de ver e nos fez valorizar muito mais todo nosso trabalho e nossa jornada com o “Colmeia”.

Bastidores do filme “Colmeia
Papo de Cineasta com Karinna de Simone
Cenas do curta-metragem: “Colmeia

Comente sobre projetos e estágios que você participou

Meu primeiro trabalho no audiovisual foi na série “Vade Retro”, uma produção da Globo com a O2. Foi o melhor trabalho do mundo pra Karinna de 20 anos. Era um projeto grande, então de cara tive contato com uma estrutura imensa e profissionais muito experientes. Como eu era a estagiária acabava ficando com tudo aquilo que ninguém mais queria fazer. Na pré-produção isso ia desde imprimir roteiros, atualizar planilhas, até acompanhar os ensaios do elenco (que pra mim era o lugar perfeito para estar). Tive chefes incríveis que me ensinaram muito! Isso foi em 2016, pré era me too e Harvey Weisntein, então devo admitir que também passei por experiências ruins com relação a sexismo e assédio no set. Isso foi uma realidade que me chocou muito e que se repetiu em outros sets que vivenciei. Felizmente agora o mercado está menos tolerante a esses comportamentos, estamos progredindo a caminho de um ambiente de trabalho mais acolhedor e profissional, como deve ser!

Desde então me aventurei em longas, vídeo-clipes, publicidades, captação de eventos como Rock in Rio… Fui fazer de tudo mesmo! Cada trabalho é uma experiência completamente diferente e que me dá bagagens distintas, então eu fico feliz de diversificar meus horizontes profissionais.

Clipe: “Eu não me importo (É Carnaval!)” – Pseudo Banda

O que você acha da rixa que existe no cinema nacional entre “filme cult” e “filme pop”?

Quando entrei na faculdade senti esse choque. Venho de uma família que só consome cinema pipocão, então até entrar na faculdade meu repertório se resumia a isso.  Rolou um super desprezo com a minha pessoa porque eu não sabia quem era Wim Wenders ou porque nunca tinha assistido um filme do Jodorowski. Ampliar meu leque de consumo foi essencial e meu gosto amadureceu, mas não me fez gostar menos de filmes “pop”.  Gosto de pensar que a beleza do cinema está justamente na infinidade de possibilidades pro público. Quanto mais diversa a produção, melhor pra nós como indústria: mais público sob nosso guarda-chuva. Senti sim essa rixa, principalmente ao longo da faculdade. Me parece uma herança um pouco antiga, um jeito ultrapassado e limitado de se relacionar com a produção nacional. Houve uma época em que a produção realmente se resumia a extremos, cinema marginalizado ou chanchada. Muitos professores perpetuam essa mentalidade e alguns alunos entram na onda. É preocupante porque, afinal de contas, são os formadores dos profissionais.

No entanto, no mercado, sinto que essa rixa está se tornando menor. Desde 2011, com a Cota de Telas, as produtoras têm buscado um conteúdo mais palatável ao público. Sem falar que o audiovisual mudou completamente! A chegada de empresas como Netflix, Amazon, Disney+, está gerando um fluxo de “dinheiro bom” nunca antes visto no Brasil. E o público amadureceu. Agora há uma imensidão de produções populares de qualidade altíssima, com discussões profundas, complexas. A audiência está exigente e sedenta, e também mais disposta a experimentar. Quando, 10 anos atrás, imaginaríamos o sucesso de um projeto alemão como “Dark”? Novos horizontes estão se abrindo para a nossa produção, e existe uma geração nova de artistas e cineastas pronta pra ocupar esse espaço.

Papo de Cineasta com Karinna de Simone
Cenas do curta-metragem: “Colmeia

Qual dica você deixa para pessoas que talvez não consigam fazer uma faculdade de cinema, mas ainda assim querem tentar seguir por essa área?

Felizmente é uma área que não exige um diploma específico. Nenhum diploma, na verdade. A faculdade é um facilitador, claro, te ajuda a acessar mais informação, a descobrir mais caminhos, e ajuda muito com o “QI” (Quem Indica). Mas ela não é essencial. Não existe um trajeto certo… Cursos técnicos são uma possibilidade bacana dependendo das suas intenções, ajudam a conhecer gente que pode te puxar pro mercado e te passam as informações específicas pra sua área desejada. Mas conheço muita gente que só saiu trabalhando, começou com coisas aleatórias e foi chegando na área. Se você tem muita vontade, está disposto a trabalhar (muito) e é uma pessoa interessada, portas vão se abrir mesmo sem a faculdade pra te dar aquele empurrão inicial. Diria eu que a cara de pau pode te levar mais longe do que o diploma.

Qual é o gênero de filme que mais gosta de assistir/de fazer? E quais temas mais te atraem para criar um filme, ou qual deles te faz querer assistir um filme?

Eu tenho um gosto bem eclético, mas recentemente percebi que 8 dos meus 10 filmes favoritos são filmes baseados em histórias reais. Percebi que é uma tendência minha também, todos os meus projetos são inspirados em histórias de pessoas próximas ou histórias que eu ouvi e tomei como base pra escrever. Sendo uma boa história, eu estou interessada, não importa muito gênero ou tema. Eu amo um bom filme histórico, acho que falta essa produção no Brasil. Acabamos sabendo mais da história da Inglaterra e dos EUA do que da nossa própria. Esse gênero é muito diverso, comporta todo tipo de público. Realezas, guerras, dramas de tribunal, dramas sociais, épicos, comédias, têm de tudo! O Brasil tem uma história muito rica, cheia de conflitos e personagens excêntricos… Ultimamente esse têm sido um tema que me inspira muito e que estou ansiosa pra ver mais na nossa produção!

Papo de Cineasta com Karinna de Simone

Encerrando esse bate papo riquíssimo, eu agradeço o tempo e a atenção que Karinna me reservou. O que vocês não sabem é que Karinna era veterana na faculdade quando eu entrei. E foi ela que me deu a minha primeira chance de “estagiar” num dos curtas que ela estava gravando naquele semestre. Era um filme universitário que ela havia escrito e estava dirigindo. É algo normal os estudantes fazerem assistências nos curta-metragens uns dos outros. E eu só tenho a agradecer a experiência e a primeira oportunidade que consegui. O set da Karinna é algo harmonioso, com muito profissionalismo, respeito, mas também descontração nas horas certas. E eu já estive em alguns sets para saber o que se deve fazer e o que não fazer, já no dela, foi puro prazer. Obrigada por essa presença iluminada, humilde e talentosa! Que prazer poder compartilhar um pouco da trajetória dela com os leitores da FOCO.

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