iFood eleva investimento no Brasil para R$ 24 bilhões, 41% acima do ciclo anterior
Plataforma anunciou o valor para o ano fiscal que vai até março de 2027, com R$ 2 bilhões só em tecnologia. O anúncio sai em meio a disputas no Cade.

O iFood anunciou nesta quarta-feira, 16 de setembro, que vai investir R$ 24 bilhões no Brasil no ano fiscal que vai de abril de 2026 a março de 2027. É 41% mais do que os R$ 17 bilhões do ciclo anterior, e o anúncio saiu no evento iFood MOVE, em São Paulo.
Veja para onde vai o dinheiro
A empresa dividiu o plano em quatro frentes. A primeira é o fortalecimento dos restaurantes parceiros, que são a base do negócio desde o começo.
A segunda é a expansão para categorias além da comida: farmácia, mercado, conveniência e pet shop. A terceira é tecnologia própria, e a quarta são serviços que não dependem da entrega, como gestão de salão e o iFood Pago, a fintech da casa.
Do total, R$ 2 bilhões vão para tecnologia e inovação. A companhia diz que o foco ali são agentes de inteligência artificial e o modelo proprietário que ela chama de Large Commerce Model.
Entenda o tamanho do salto
A conta é simples: o ciclo anterior tinha R$ 17 bilhões, o novo tem R$ 24 bilhões, o que dá 41% de aumento. Em valor absoluto, são R$ 7 bilhões a mais em doze meses.
O anúncio também marca a data: 2026 é o ano em que a plataforma completa 15 anos de operação no país. Ela nasceu em 2011 e hoje é controlada pela Movile, do grupo Prosus.
Leia o anúncio no contexto da disputa
O número não sai no vácuo. O iFood vive dois embates ao mesmo tempo, e ignorar isso seria contar só metade da história.
No Cade, a empresa tem desde 2023 um acordo que vale até meados de 2027 e limita contratos de exclusividade com restaurantes: nada de exclusividade com redes de 30 ou mais casas, e no máximo dois anos para grupos menores.
Em agosto deste ano, a companhia pediu ao próprio Cade a abertura de processo contra a Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan, alegando prática predatória. A rival respondeu acusando o iFood de tentar desviar a atenção da investigação que pesa sobre ele.
Na Justiça, a empresa venceu em maio uma ação contra a 99Food por concorrência desleal, decisão que a concorrente disse que vai recorrer.
O que isso diz sobre o mercado
Delivery deixou de ser disputa de aplicativo de comida e virou disputa de plataforma: pagamento, publicidade, mercado e farmácia no mesmo aplicativo. É nesse terreno que os R$ 24 bilhões foram anunciados.
A chegada de concorrentes com capital chinês mudou o ritmo da briga, e plano de investimento nesse tamanho também é sinal para o outro lado do balcão.
Os valores e prazos são os informados pela empresa e pelo noticiário até o fechamento desta matéria. Você já usa aplicativo de entrega para comprar fora de restaurante?
Esta matéria é da editoria de Negócios, uma das seis da Revista Foco, publicação digital independente que separa o que importa do ruído, todo dia.
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