sábado, 5 de setembro de 2026
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Ypê põe R$ 130 milhões na fábrica de Amparo após suspensão da Anvisa

A empresa vai adequar as linhas às exigências da agência, quatro meses depois de ter duas delas suspensas e lotes recolhidos do mercado.

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Garrafas de vidro alinhadas numa linha de produção automatizada de fábrica
Foto: Keegan Checks/Pexels

A Ypê vai investir R$ 130 milhões para adequar a fábrica de Amparo às exigências da Anvisa. O valor aparece quatro meses depois de a agência suspender duas linhas de produção da unidade e mandar recolher lotes do mercado.

A empresa abriu o complexo industrial a jornalistas na segunda-feira, 31 de agosto, com o presidente Walter Beira Junior apresentando números da operação, do portfólio e dos investimentos.

O que a fiscalização encontrou

A inspeção que originou tudo foi feita no fim de abril, em ação conjunta da Anvisa com as vigilâncias sanitárias de São Paulo e de Amparo. Ela apontou 76 requisitos sanitários não atendidos.

As falhas estavam em etapas críticas: sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. O risco descrito pela agência era de contaminação microbiológica.

O recolhimento de maio

Em 7 de maio, a Anvisa suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca, em todos os lotes com numeração final 1, produzidos na unidade de Amparo.

Duas linhas de produção foram suspensas pela resolução 1.834 daquele mês. A medida atingiu produto que já estava em prateleira, e não apenas o que ainda seria fabricado.

A liberação, e o que ficou de fora

Em 29 de maio a agência autorizou a retomada. A empresa apresentou plano de ação, fez melhorias nas linhas e no controle de qualidade, e passou por reinspeção.

A liberação tem recorte de data: valem os produtos de lote final 1 fabricados a partir de 1º de abril. Os anteriores a 31 de março continuam suspensos e só saem dessa condição com laudo de laboratório autorizado.

Não era a primeira vez

Em novembro de 2025 a mesma fábrica já havia registrado contaminação por Pseudomonas aeruginosa, bactéria que motivou o recolhimento de produtos da linha de lava-roupas na ocasião.

É esse histórico que dá peso ao anúncio de agora: os R$ 130 milhões não são expansão de capacidade, e sim adequação de linhas a requisitos definidos junto com o regulador.

O tamanho do que está em jogo

A companhia nasceu em Amparo em 1950 e hoje tem seis fábricas, em São Paulo, Bahia, Goiás e Pernambuco, com mais de 7,3 mil funcionários. O portfólio passa de 450 produtos em 23 categorias.

A posição de mercado explica por que a decisão repercutiu: a marca lidera o sabão em barra, com cerca de 47% do volume, e o amaciante tradicional, com 31,8%. Os dados são os apresentados pela empresa até o fechamento desta matéria.

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Esta matéria é da editoria de Negócios, uma das seis da Revista Foco, publicação digital independente que separa o que importa do ruído, todo dia.

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