BYD vira a 3ª marca do país e provoca a Toyota; veja a resposta
A chinesa emplacou 24.467 veículos em agosto e lidera o varejo há cinco meses. A japonesa respondeu à alfinetada e transferiu a produção do Corolla.

A BYD alfinetou a Toyota nas redes sociais nesta semana, e a japonesa respondeu. A provocação da chinesa tem um número atrás dela: em agosto, a marca chegou ao terceiro lugar do mercado brasileiro.
A publicação da BYD aproveitou uma vitória do Brasil sobre o Japão para destacar a autonomia de até 1.200 km do sistema híbrido da casa. A Toyota devolveu com uma frase curta: “o rei está trocando de castelo”.
A resposta tem endereço
A palavra “rei” não foi escolhida à toa. É o nome do sedã da BYD que disputa o mesmo espaço do Corolla, e a frase reivindica para a japonesa o domínio histórico da categoria.
O duelo direto explica o tom. O BYD King superou o Corolla nas vendas de agosto, mas o acumulado do ano segue com a japonesa na frente: 11.078 unidades contra 6.562 até o fechamento desta matéria.
Os números que sustentam a provocação
A BYD emplacou 24.467 veículos em agosto e ficou com 9,30% do mercado de automóveis e comerciais leves. Foi o suficiente para assumir a terceira posição do ranking geral.
No acumulado de janeiro a agosto são 146.930 unidades, volume que já supera o total de 2025 inteiro. O crescimento no ano é de 118,69%, contra 19,78% do mercado brasileiro.
A marca colocou três modelos no top 10 de agosto: o Dolphin Mini em quarto, o Dolphin em oitavo e o Song em nono. No varejo, lidera pelo quinto mês seguido, com 12,85% de participação.
A Toyota fechou uma fábrica, mas não saiu
A provocação veio semanas depois de a japonesa encerrar a produção em Indaiatuba, no interior paulista, em 30 de junho. A unidade operava desde 1998 e produziu mais de um milhão de veículos.
Não é retirada do país. A produção do Corolla foi transferida para o complexo de Sorocaba, os 1,5 mil funcionários tiveram oportunidade de vaga na nova unidade, e a empresa mantém um plano de R$ 11 bilhões de investimento no Brasil até 2030, com foco em híbridos.
Camaçari é a aposta da chinesa
Do outro lado, a BYD produz na Bahia. O complexo de Camaçari já passou de 100 mil veículos montados e tem capacidade para 150 mil por ano, com plano de dobrar para 300 mil e chegar a 600 mil no futuro.
Saem de lá o Dolphin Mini, o King e o Song Pro. A meta declarada é nacionalizar 50% das peças até o fim deste ano e 70% até dezembro de 2027, com um carro totalmente brasileiro prometido entre o fim de 2027 e meados de 2028.
O imposto que mudou o jogo
Nada disso é só estratégia de marca. Desde julho de 2026, elétricos e híbridos importados pagam 35% de imposto de importação, contra as alíquotas menores que vigoravam antes.
A conta pressiona quem traz veículo pronto de fora e recompensa quem monta aqui. É por isso que a corrida pela nacionalização virou o assunto central das montadoras chinesas no país, e não a briga de Instagram.
O que observar até dezembro
Duas marcas valem acompanhar: se a BYD sustenta o terceiro lugar no acumulado e se o King repete sobre o Corolla o resultado de agosto em mais de um mês seguido.
Vitória mensal é episódio. Liderança de categoria se mede no ano, e nesse placar a japonesa ainda está na frente.
Você trocaria um híbrido japonês por um chinês hoje?
Esta matéria é da editoria de Negócios, uma das seis da Revista Foco, publicação digital independente que separa o que importa do ruído, todo dia.
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